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O REAL PAPEL DO ORIENTADOR NOS ARTIGOS TÉCNICO-CIENTÍFICOS, MONOGRAFIAS, DISSERTAÇÕES, TESES E OUTRO
03.01.2021



                                                                                        Luiz Carlos dos Santos


Verificando o quantitativo de textos de opinião, disponibilizado na aba “Produção Acadêmico-Profissional” e na seção denominada “blog” do site (www.lcsantos.pro.br), veículo de informação e comunicação, que tem por objetivo - contribuir na produção acadêmica dos leitores/internautas -, chega-se à conclusão que, apesar de o autor possuir formação diversificada na área das Ciências Humanas (educação) e nas Ciências Sociais Aplicadas (direito, contábeis, administração geral e administração hoteleira), o maior número de escritos versa sobre “Metodologia da Pesquisa Científica”. 


Certamente esse é o seu eixo de maior aderência, portanto, eis mais uma reflexão em torno da temática em epígrafe. De pronto, vale lembrar que os internautas podem e devem interagir, a fim de provocar a produção de textos complementares pelo autor, bastando tão somente clicar na expressão “comentários” e enviar suas considerações, ponderações; enfim, provocações.


O papel do orientador em trabalhos técnico-acadêmicos, desde os mais simples - plano de negócio -, aos mais complexos - tese de doutoramento -, restringe à indicação de pistas epistemológicas (referencial teórico acerca do objeto investigativo) e do percurso metodológico – o caminho para elucidação do problema, comprovação ou refutação de hipóteses e alcance dos objetivos da pesquisa). Cabe também ao orientador chamar à atenção do iniciante na pesquisa para a observância dos aspectos de normalização e dos estilos da língua culta. Saliente-se que orientador não é sinônimo de co-autoria – ele não pode eticamente produzir, conjuntamente com o estudante-pesquisador (para obtenção de título acadêmico)


Nessa perspectiva, ao orientando, cabe entender que o título almejado em determinado curso depende de seu interesse em seguir as orientações/recomendações do orientador. Quem efetivamente irá cumprir as tarefas é o orientando, pois os louros são para quem produziu o trabalho. O orientador é um profissional que, talvez, tenha um maior domínio do assunto/tema sob investigação e, consequentemente, apontará caminhos/trilhas/rumos para que o estudante cumpra o requisito parcial de seus estudos, obtendo, assim, o grau desejado.


Registre-se que ao apresentar o projeto de pesquisa ao orientador, o estudante deverá deixar claro o seguinte: o enunciado do problema; as hipóteses de pesquisa enquanto solução para elucidação do questionamento ou, indagações derivativas do problema central da investigação (questões norteadoras), e os referenciais teóricos que fundamentarão o desnudar do fenômeno, ocorrência ou fato. Evidentemente que os objetivos, a metodologia e a justificativa farão parte dessa caminhada. 


É claro que o pesquisador-estudante para apresentar o enunciado do problema de uma pesquisa ao orientador, já deve ter, necessariamente, recortado o tema de um assunto mais amplo. Esse passo é denominado de delimitação do objeto. Afinal, a investigação científica deve estar focada em um único problema; do contrário, não é pesquisa, mas uma compilação ou compêndio de fenômenos, ocorrências e fatos imbricados, sem valor científico algum.


Em relação ao título e subtítulo, se necessário, esta é uma questão que, ao longo do desenvolvimento da pesquisa, vai sendo ajustada. O mais importante é o recorte do tema – reafirme-se: a delimitação do objeto a ser pesquisado.


Enfatize-se que a Coordenação do Programa ou Curso deve levar em conta, na hora da designação do orientador, a aderência deste ao objeto a ser investigado, pois apesar de não ser co-autor do trabalho, o pesquisador-estudante necessitará de uma espécie de guia para correção de rumo. Excepcionalmente, a figura do co-orientador é importante, principalmente quando o tema é transversal, bem assim o assessoramento de um estatístico nas pesquisas de cunho teórico-empírico e, no final dos trabalhos de um exímio revisor da língua mater.


Relativamente aos encontros entre orientador e orientando, um agendamento com o fulcro de compatibilizar disponibilidade horária é sempre pertinente. Ah! Convém lembrar que o maior interessado no processo de produção do conhecimento para obtenção de um determinado título é o estudante. Portanto, a falta à orientação, por parte do aluno, não significa que o orientador deva procurá-lo. Por outro lado, o descumprimento ao encontro, pelo orientador, cabe ao estudante dirigir-se à Coordenação do Programa/Curso, a fim de dar ciência ao fato e saber das razões. Frise-se que, muitas vezes, o orientador é chamado para participar de uma Banca Examinadora, proferir palestras/conferências, a pedido de Instituições de Ensino Superior, apresentação de trabalhos e, nem sempre é possível desmarcar com o orientando o agendamento.


Finalmente, urge deixar claro que na elaboração de um trabalho acadêmico o aprendizado é sempre mútuo: orientador e orientando estão em constante e contínuo crescimento. É sempre salutar uma convivência amistosa que possibilite o prazer das duas partes na construção do saber. Ah! O resultado dessa parceria certamente será positivo para o orientando, orientador (amadurecimento científico), programa (stricto sensu ou lato sensu), colegiado (curso de graduação) e, em decorrência, para a Instituição de Educação Superior (IES).  


                                                            REFERÊNCIAS


SANTOS, Luiz Carlos dos. Como elaborar projeto de pesquisa, artigo técnico-científico e monografia. Belo Horizonte: Dialética, 2019.


______. Como guiar os acadêmicos na produção do conhecimento (2016). Disponível em: www.lcsantos. pro.br. Acesso em: 03 jan. 2020.


______. Tópicos sobre metodologia da pesquisa científica [...]. Salvador: Quarteto, 2007.