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A ELABORAÇÃO DE ARTIGO TÉCNICO-CIENTÍFICO: possível aplicação nas áreas das Ciências Contábeis, da A
31.03.2020



                                                                                                    Luiz Carlos dos Santos 


                                                        RESUMO


Este escrito destina-se aos elaboradores de artigos técnico-científicos, os quais buscam veicular suas produções em periódicos de impacto, bem como aos graduandos e pós-graduandos em nível de lato sensu, que utilizam essa modalidade em Trabalhos de Conclusão de Curso (TCC). O objetivo geral do artigo foi evidenciar os elementos constitutivos de um artigo técnico-científico. A trajetória da metodologia teve o seguinte enquadramento: método dedutivo; tipologia quanto aos objetivos de natureza exploratória com nuances descritivas; tipo de abordagem de cunho qualitativo; natureza da exposição do objeto investigativo de ordem teórico-documental, valendo-se de fontes bibliográficas, documentais e eletrônicas, todas arroladas no item referências. Os resultados alcançados apontam para a necessidade de se produzir artigos obedecendo ao rito normativo, no qual contemplem tanto os aspectos teórico-epistemológicos e metodológicos quanto aos estilos da língua culta. Concluiu-se que nas considerações finais de um artigo convém deixar patente a elucidação do problema, a comprovação ou refutação das hipóteses de pesquisa, caso tenha sido esta, a opção do pesquisador ou, em não sendo, que se ratifique as respostas das questões norteadoras, ressaltando, também, o alcance dos propósitos do estudo.


Palavras-chave: Publicação em periódicos. Artigo técnico-científico. Elementos Pré-textuais. Elementos textuais. Elementos Pós-textuais. 


1 INTRODUÇÃO


Artigo técnico-científico é uma produção de natureza técnica e/ou científica que tem por finalidade difundir conhecimento a um determinado público, expressando o pensamento pessoal, de forma argumentativa, de quem o elabora, ancorado em autores conceituados, com quem se concorda, discorda ou se tem divergência ainda que parcial. Para tanto, deve ser encaminhado a um determinado periódico, que submeterá o texto à análise e deliberação do seu Conselho Editorial, segundo normas próprias do veículo de publicação, mas, também, atendendo ao que preceitua a Norma Brasileira de Regulação (NBR) nº 6022/2018 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).


De acordo com Luiz Carlos dos Santos (2018), o artigo técnico-científico é também uma modalidade de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), na graduação ou na pós-graduação lato sensu, normalmente defendido perante Banca Examinadora, composta por três professores sob a Presidência do orientador do discente.


A linguagem de um artigo técnico-científico deve ser clara, concisa, precisa, objetiva, preferencialmente com o verbo no impessoal, sem adjetivações, equívocos gramaticais e descontinuidades das ideias, enfim, dentro do rigor da língua culta, cujo texto contenha entre 15 e 25 laudas, extensão recomendada pelos principais periódicos/revistas. Santos et al. (2003).


No que concerne aos parágrafos, cabe ressaltar que têm a finalidade de expressar as etapas do raciocínio lógico, portanto, na passagem de um parágrafo para o outro faz com que a ideia descrita ou demonstrada avance e reproduza a estrutura do próprio texto, que se constitui em uma introdução, um desenvolvimento e uma conclusão, interligados e inter-relacionados, formando um conjunto de ideias para a divulgação do conhecimento, conforme apregoa Gonçalves (2004).


De um modo geral, o conhecimento ocorre em função da pesquisa, significando esta última a busca de “novos conhecimentos científicos, por mais modestos que sejam. A pista científica é, com efeito, o conjunto de indícios ou sinais que podem conduzir à averiguação do novo mundo do saber” (SALOMON, 2000, p. 149).


A investigação científica supõe sempre uma metodologia, reflexão analítica e crítica, tanto em relação ao objeto que está sendo pesquisado como em relação aos métodos postos em prática no descobrimento e na prova dos resultados. Esses procedimentos exigem a elaboração de trabalhos que visem comunicá-los aos demais, envolvendo não apenas a execução de uma pesquisa científica individual ou institucional, em termos metodológicos, como também aspectos legais e éticos, de redação, de criatividade, custos, tempo e domínio do assunto/tema.


A circularização do conhecimento produzido se efetiva por meio de publicação de artigos, livros (formato físico ou online), anais de eventos científicos (formato físico ou meio digital), reuniões acadêmicas, jornadas, simpósios, seminários, encontros e congressos. No caso do artigo, não só basta publicá-lo, convém que se divulgue em periódicos de impacto, ou seja, revistas conceituadas nas grandes áreas do saber, definidas pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).


Pelo exposto, apresenta-se a problemática deste trabalho com o seguinte enunciado: como elaborar um artigo de natureza técnico-científica?


Em torno do referido enunciado, têm-se as seguintes questões norteadoras:


● Quais são os pressupostos investigativos de um artigo?


● O que se entende por referencial teórico de um artigo?


● Qual o papel da metodologia em um artigo?


● O que significa aspectos da língua culta na redação de um artigo?


● Quais as normas da ABNT a serem obedecidas na elaboração de um artigo?


● Qual a estrutura de um artigo técnico-cientifico?


O objetivo deste texto é evidenciar os elementos constitutivos de um artigo técnico-científico. Para o alcance desta propositura foram traçados os objetivos específicos, adiante arrolados:


● Descrever sobre os elementos pré-textuais de um artigo técnico-científico;


● Apresentar os elementos textuais de um artigo técnico-científico; e,


● Comentar acerca dos elementos pós-textuais de um artigo técnico-científico.


Justifica-se cientificamente esta produção pela possível contribuição ao estágio de conhecimento no campo da educação, com aplicação prática nas áreas das Ciências Contábeis, Administração e do Direito, servindo de base para futuras pesquisa em torno da temática.


Na órbita social, este texto poderá contribuir na melhoria da qualidade dos artigos e Trabalhos de Conclusão de Curso (TCC), desenvolvidos nas Instituições de Educação Superior (IES), quer Faculdades/Escolas, quer Centros Universitários, quer, ainda, nas Universidades, os quais tenham como opção a modalidade artigo técnico-científico, enquanto requisito para obtenção de grau em nível de graduação e/ou especialização lato sensu.


Com relação à motivação deste escrito, resulta-se da atuação do autor que, na condição de orientador de TCC, tanto em Instituições públicas quanto privadas, em mais de 20 anos, tem percebido dificuldade do alunado na elaboração de artigos técnico-científicos, razão pela qual disponibiliza mais uma produção, visando contribuir para que graduandos (as) e pós-graduandos (as) possam ter melhor desempenho nas pesquisas acadêmicas.


O percurso metodológico para a construção deste artigo tem o seguinte enquadramento: método dedutivo, apoiado nas lições de Descartes apud Ferreira (1998); tipologia quanto aos objetivos, de cunho exploratório e descritivo, lastreada nos ensinamentos de Gil (2010); natureza da abordagem de ordem qualitativa, ancorada nas lições de Minayo (2008); natureza da exposição do objeto investigativo, eminentemente calcada em um trabalho na perspectiva teórico-documental, de acordo com os escritos de Boaventura (2017); fontes bibliográficas – livros e artigos em formato físico, segundo a compreensão de Marconi e Lakatos (2007); fontes documentais - nas normas da ABNT;  e, fontes eletrônicas - por meio de e-books e sites especializados, como apregoa Santos (2018).


Este estudo compõe-se de 4 capítulos, o primeiro refere-se a esta Introdução; o seguinte contempla o referencial teórico, constituído pelos elementos pré-textuais, textuais e pós-textuais de um artigo técnico-científico e, por último, as considerações finais, trazem a sinopse da desnudação do enunciado do problema, a síntese das respostas às questões norteadoras, sinaliza o alcance dos objetivos propostos pelo trabalho e destaca o ponto de vista do autor.


2 REFERENCIAL TEÓRICO


Os artigos técnico-científicos visam a publicar resultados de um estudo, embora tenham formato reduzido, para alguns periódicos, entre 10 e 15 páginas; outros, a grande maioria, entre 15 e 25, inclusive Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), tanto na graduação quanto na pós-graduação lato sensu, sempre são trabalhos completos, textos integrais.


São geralmente utilizados como publicações em revistas especializadas, a fim de divulgar/difundir conhecimentos, de comunicar resultados ou novidades a respeito de um assunto/tema, ou ainda de contestar, refutar ou apresentar soluções de uma situação controvertida.


A partir do final da década de 1990, muitas Instituições de Educação Superior (IES) passaram a adotar o artigo técnico-científico enquanto modalidade de TCC, ficando a critério do graduando ou pós-graduando optar por este modelo ou o de monografia.


Já os ensaios científicos, ou papers são textos que desenvolve uma proposta pessoal do autor sobre um determinado tema/problema de ciência. Apesar de encerrarem o pressuposto de conhecimentos adquiridos no meio científico comum, os ensaios pretendem expressar a visão do autor, até de forma independente em relação ao pensamento científico expresso e comum a respeito do assunto. De acordo com Santos (2007, p. 44), “Pode-se pensar o ensaio científico como um conjunto de impressões do especialista. É claro que o valor científico do ensaio depende do respeito da comunidade científica pela autoridade e pelo notório saber do ensaísta”.


Normalmente, os ensaios são mais resumidos que os artigos científicos, giram em torno de 8 e 12 páginas, cuja estrutura intelectual e gráfica são idênticas as de artigos técnico-científicos.


O artigo técnico-científico pode ser originado de pesquisas de revisão, ou seja, a partir da literatura existente sobre determinado assunto/tema, de maneira horizontalizada, levando em consideração os diversos escritos de autores clássicos e/ou emergentes, onde o autor do artigo trata o assunto/tema numa perspectiva puramente teórica, mas expressando seu ponto de vista após decomposição e tratamento da matéria.


É teórico-documental o artigo técnico e/ou científico que, além da âncora teórica a partir de diversos expoentes da área, o autor acrescenta dados documentais, estatísticos, exemplo de informações do IBGE, PNUD, SEBRAE, jurisprudências, leis, decretos, portarias, regimentos, regulamentos, estatutos, laudos periciais, relatórios de auditorias, normas da ABNT, entre outros.


Entende-se por artigo de natureza teórico-empírica, nas ciências humanas e sociais aplicadas, aquele que contém o referencial teórico, lastreado em teorias, correntes científicas, leis científicas, hermenêutica, exegeses, incluindo dados documentais, se for o caso, contudo, acrescida da pesquisa empírica, ou seja, investigação em campo, por meio de técnicas de coleta de dados, a exemplo de formulário, questionário, entrevista, observação, dentre outras, onde o público alvo da pesquisa expressa sua opinião/percepção sobre o tema/problema. 


2.1 Estrutura do artigo técnico e/ou científico


Conforme o que preconiza a NBR 6022/2018 da ABNT, o artigo técnico-científico deve conter os elementos pré-textuais, textuais e pós-textuais.


2.1.1 Pré-textuais


Para fins de publicação em periódicos ou revistas, do conhecimento produzido, o item 5 da NBR 6022/2018 estabelece que o artigo deve conter os seguintes elementos pré-textuais, adiante detalhados.


Título/subtítulo


O título no idioma do documento deve ser assentado, preferencialmente, em caixa alta, seguido do subtítulo, se houver, separado por dois pontos, figurando logo na primeira página de abertura do artigo, em tamanho de fonte 12, tipo arial ou times new roman. Caso haja necessidade de detalhamento do subtítulo, aconselha-se uso de hífen, ressaltando que os mesmos devem refletir o conteúdo da temática, e não podem ser extensos. 


Para atender às exigências dos periódicos (publicação) e das IES (quando se tratar de artigo enquanto modalidade de TCC), deve-se incluir o título e subtítulo em outro idioma, geralmente o inglês, logo abaixo do título/subtítulo no idioma pátrio.


Autor (es)


Em seguida, a partir de um espaço simples deve ser inserido de forma direta, nome completo do autor, acompanhando de asterisco ou o número arábico 1 (um), alinhado à margem direita. Quando houver mais de um autor, assentam-se os nomes dos demais autores, separadamente, com espaço de 1,0 cm entre eles, acompanhado dos respectivos números arábicos, 2, 3 etc. Para tanto, adota-se, por opção dos autores, a ordem alfabética dos nomes ou pela maior à menor contribuição na produção do artigo.


Resumo no idioma do documento


Elemento obrigatório, deve ser elaborado em estreita obediência aos ditames da NBR 6028/2003 da ABNT, em plena vigência, contendo de 100 a 250 palavras, excetuando da contagem artigos, preposições e conjunções.


O resumo deve ser composto de uma sequência de frases concisas, objetivas, afirmativas e não de enumeração de tópicos, preferencialmente na terceira pessoa do singular, usando-se a voz ativa do verbo, tudo em um parágrafo único, com espaçamento simples e tamanho de fonte menor que 12, com o mesmo tipo de letra, objetivando a padronização/uniformização do artigo.


De acordo com a supramencionada Norma, a primeira frase deve ser significativa, explicitando o tema principal do documento, seguida do objetivo geral do estudo, da síntese da metodologia empreendida, da sinopse dos resultados obtidos e da súmula das considerações finais.


Ao final do resumo devem figurar as palavras-chave, na margem esquerda da página, após um espaçamento simples, o mesmo utilizado para as entrelinhas no texto do referido resumo, até o quantitativo de 5 palavras, separadas entre si por ponto e finalizadas também por ponto. Ressalte-se que as palavras compostas, a exemplo de “Recursos Humanos”, na contagem deve ser considerada apenas uma palavra.


Resumo em outro idioma


A NBR 6022/2018, considera como sendo um elemento opcional, entretanto, para que o artigo seja publicado em periódico, bem como a maioria das IES (no caso de TCC), entendem como um requisito obrigatório.


Usualmente, o idioma prevalente é o inglês, porém, quem determina é o periódico, para o qual será enviado o artigo a ser publicado ou a IES, no caso da modalidade de TCC. Saliente-se que, por se tratar de outro idioma, o assentamento do referido resumo deve ser com destaque em itálico.


No rodapé da primeira página, em tamanho de fonte menor que 12 (10 ou 11), coloca-se a sinopse do currículo de cada autor, em linhas separadas, trazendo o respectivo número arábico, atribuído por ocasião da colocação do nome do autor, com a respectiva vinculação corporativa e endereço eletrônico, utilizando o espaço simples (1 cm).


Na última linha do rodapé, coloca-se datas de submissão e aprovação do artigo, somente quando este for objeto de publicação em periódico.


Entretanto, se o artigo for para fins de entrega e defesa de TCC, deverá conter Capa, Folha de Rosto e Sumário, conforme prevê a NBR 14724/2011 da ABNT, antes do item 5.1.1 da NBR 6022/2018, também da ABNT.


2.1.2 Elementos Textuais


Partes principais de um artigo, devem ser redigidas de maneira direta, clara, concisa, objetiva, sem adjetivações, sem repetições excessivas de termos, a exemplo de “através”, “que”, entre outros, dentro do padrão na norma culta. Recomenda-se o uso de sinônimos para imprimir elegância textual ao relatório da pesquisa, de modo a estimular quem está lendo o artigo.


O espaçamento entrelinhas e entre parágrafos deve ser o simples para todo o artigo. Esta é uma inovação com o advento da edição de 2018, da NBR 6022 da ABNT. O tamanho de fonte continua o mesmo, ou seja, 12, exceto as citações com mais de três linhas, paginação, notas, legendas e fontes das ilustrações e tabelas, as quais devem ser em tamanho menor (10 ou 11), porém uniforme. Recomenda-se o uso de recuo no início de cada parágrafo. Frise-se, contudo, que o artigo elaborado enquanto TCC, as IES continuam adotando o espaço 1,5 cm entre os parágrafos e entrelinhas, por entenderem que a regra para o mencionado TCC deve ser a NBR 14724/2011 da ABNT.


Quando o artigo for de natureza revisional/teórica ou teórica-documental, compõe-se de 3 (três) capítulos textuais, a saber: introdução (incluindo-se a metodologia); referencial teórico; e, considerações finais.


Em se tratando de artigo de natureza teórico-empírica, ou seja, incluindo trabalho de campo, por meio de técnicas de coleta de dados, são 5 (cinco) elementos textuais, adiante elencados: introdução; referencial teórico; metodologia; apresentação, análise e interpretação dos resultados; e, considerações finais.


Introdução


De acordo com Santos (2018), a introdução é a parte inicial do artigo na qual devem constar, em aproximadamente 3 laudas/páginas, sem itemização, tudo em texto corrido, ou seja, por parágrafos: visão panorâmica da temática; problemática (contextualização e enunciado do problema); hipótese (s) ou questões norteadoras; objetivos (geral e específicos); justificativa (científica, social e pessoal); metodologia (se a natureza for de ordem teórica ou teórica-documental); e, síntese capitular. 


A visão panorâmica de que trata o parágrafo precedente, refere-se aos aspectos gerais da temática, sem aprofundamento, uma vez que no capítulo do referencial teórico ocorrerá o detalhamento/explanação do tema. 


Descortinada, panoramicamente, a temática da investigação científica, entra-se com sua problematização, primeiramente com a contextualização/delimitação, seguida do enunciado do problema, ou seja, com a grande pergunta, sem descontinuidade do texto. 


Dando prosseguimento à redação do artigo, coloca-se um gancho textual para o registro da (s) hipótese (s) de pesquisa (se houver), sinalizando para a busca da provável solução do problema levantado ou apresenta-se um rol de indagações derivativas do enunciado do problema, denominadas questões norteadoras, as quais serão respondidas ao longo do corpo do trabalho, tendo como âncora o referencial teórico e a análise e interpretação dos resultados da pesquisa de campo, caso o artigo seja de natureza teórico-empírica.


Em não havendo hipótese (s), nem questões norteadoras/orientadoras, entra-se com o objetivo geral do estudo, iniciando-se com o verbo no infinitivo, seguido dos objetivos específicos (o desdobramento do objetivo geral), também, iniciando-se com o verbo no infinitivo. Estes devem estar em plena conexão/sintonia com o alcance maior da investigação, sempre começando com as operações menos, para as operações mais complexas 


Continuando a redação da introdução, o autor do artigo deve assentar a justificativa do estudo nas três dimensões: científica, social e pessoal. A primeira refere-se à possível contribuição no campo do conhecimento específico, podendo resultar em fonte para futuras investigações, acerca da temática. A acepção social deve ser realçada pelos princípios da importância/relevância, oportunidade e exequibilidade da pesquisa, para a organização privada, administração pública, ou entidade sem fins lucrativos e, dependendo da temática, para a sociedade como um todo. Encerra-se o texto da justificativa, redigindo a dimensão pessoal, ou seja, a motivação que levou o autor pesquisar sobre a temática do artigo. Frise-se que alguns autores recomendam o assentamento da justificativa antes dos objetivos. Isso é uma questão de opção (BEUREN, 2009).


Não havendo pesquisa de campo, a metodologia (conjunto de métodos, técnicas e procedimentos) pode ser detalhada na Introdução. Significa indicar: método utilizado (Dedutivo? Indutivo? Hipotético-dedutivo? Dialético? Estudo de Caso? Fenomenológico? Outro?); tipologia quanto aos objetivos do estudo (Exploratório? Descritivo? Exploratório e Descritivo? Explicativo?); natureza da abordagem empreendida (Quantitativa? Qualitativa? Quantitativa e Qualitativa?); fontes de pesquisa (Bibliográfica? Documental?  Eletrônica? As três?), conforme lições de (SANTOS, 2007).


Caso o estudo tenha se valido, também, da pesquisa de campo ou teórico-documental, exclui-se da introdução, o percurso/trilha metodológico, abrindo-se um capítulo à parte, que deve ficar logo após o referencial teórico, no qual o autor ampliará a metodologia, supramencionada, incluindo-se: universo; amostra; critério amostral; instrumentos ou técnicas de coleta de dados (Formulário? Questionário? Entrevista? Observação? Todas?); tratamento estatístico utilizado para as respostas das perguntas fechadas; técnica utilizada para as perguntas abertas ou aquelas em que o pesquisado/entrevistado teve que justificar a opção (Análise de conteúdo? Análise do discurso? Análise de Conversa? Análise Narrativa? Outra?).


Encerra-se a redação da introdução, fazendo uma sinopse do núcleo de cada capítulo do artigo, de modo que o leitor e/ou examinador tenha uma prévia da produção (FERREIRA, 1998).


Referencial Teórico


Denominado pela NBR 6022/2018 da ABNT de “Desenvolvimento”, é a parte principal de um artigo técnico e/ou científico, pois contém a exposição ordenada e pormenorizada da temática, a qual se divide em seções e subseções quanto necessárias para cobrir o objeto investigativo. Ressalte-se que, atualmente, na primeira seção deste item, o autor deve esboçar a representação gráfica do tema, ou seja, o mapa ou esquema conceitual.


Após a exibição do mapa ou esquema conceitual, o autor do artigo deve, por seção (conforme NBR 6024/2012 da ABNT), descortinar a temática, numa perspectiva dedutiva, ou seja, das categorias menos às mais específicas, ancorando-as com os expoentes da literatura acerca do tema, preferencialmente com as edições mais recentes, a partir de citações diretas, indiretas e/ou citações de citações, como prevê a NBR 10520/2002 da ABNT, porém com as devidas inferências de quem está produzindo o texto. Ressalte-se que não é apropriado o assentamento de citação sem o correspondente diálogo, entre autor do artigo e a fonte de referência. 


Saliente-se, também, que os pressupostos investigativos do artigo – problema, hipótese (s) ou questões norteadoras, bem como os objetivos (geral e específicos) da produção científica -, devem estar alicerçados de forma teórica e/ou epistemologicamente, a fim de não deixarem sem fundamentação.


Logo depois do referencial teórico, em caso de artigo de natureza teórico-empírica, como já foi ressaltado, o autor deve abrir um capítulo explicitando a metodologia e outro, denominado “Apresentação, Análise e Interpretação dos Resultados”, para exibir os achados da pesquisa de campo, recorrendo-se a tabelas, gráficos, quadros, figuras, entre outras representações gráficas, seguidas de comentários e inferências de quem produziu a pesquisa e, consequentemente, o artigo técnico e/ou científico.


Para fins de revisão técnico-científica, sugere-se submissão do artigo ao checklist de que trata o “APÊNDICE B”, ao final do texto (SANTOS, 2018).


Considerações Finais


Trata-se da parte final do artigo, na qual se apresentam as considerações correspondentes à desnudação do problema, às hipóteses da pesquisa ou às respostas das questões norteadoras e aos objetivos (geral e específicos) da investigação científica, tudo isso em, no máximo, três laudas.


É também nas “Considerações Finais”, o momento do pesquisador ou iniciante na pesquisa manifestar seu ponto de vista, no sentido macro, em relação ao objeto investigado, bem assim a apresentação das recomendações. A propósito, cabe citar o que Gil (2011, p. 183) assevera:



[...] devem derivar naturalmente da interpretação dos dados. Para bem servir às suas finalidades devem ser breves, mas suficientes para representar a súmula em que os argumentos, conceitos, fatos, hipóteses, teorias, modelos se unem e se completam.  



Reafirme-se que ao iniciar a redação das “Considerações Finais”, o autor do artigo deve efetuar o resgate ou retrospectiva sinóptica do núcleo de cada seção do referencial teórico, inclusive da análise e interpretação dos principais dados colhidos por ocasião da pesquisa de campo, se o referido artigo for de natureza teórico-empírica. Significa redigir dois ou três parágrafos, usando o verbo no passado para cada seção, a exemplo de: verificou-se que [...]; constatou-se que [...]; averiguou-se que [...]; depreendeu-se que [...]; evidenciou-se que [...] etc., de forma a perpassar todo o referencial teórico e a síntese dos principais achados empíricos.


Terminado o supramencionado resgate, cabe, então, sintetizar o porquê da elucidação/desnudação do problema da pesquisa; a síntese da comprovação ou refutação das hipóteses ou das respostas às questões norteadoras. Em seguida, de forma objetiva, o pesquisador explicita o porquê do alcance dos objetivos, fixados na Introdução.


Dando prosseguimento, é a vez do registro do posicionamento crítico do (a) autor ante à temática investigada para, finalmente, arrolar as recomendações, se for o caso.


Tudo isso, com o mesmo cuidado que vem dedicando à redação das demais partes do texto do artigo: clareza, concisão, precisão, objetividade, evitando jargões, lapsos gramaticais de quaisquer ordens.


2.1.3 Elementos Pós-Textuais


De acordo com a NBR 6022/2018 da ABNT, a ordem dos elementos pós-textuais deve obedecer aos itens 53.1 a 5.3.5 desta norma.


Referências


Devem ser elaboradas em estreita consonância com o que preceitua a NBR 6023/2018 da ABNT: título centralizados, em caixa alta e destaque em negrito; as fontes iniciam-se com o último sobrenome em caixa alta, seguido dos prenomes e demais sobrenomes; título em destaque; subtítulo, se houver, sem destaque; edição; local da publicação; editora; e, ano de publicação, caso o autor tenha se valido da obra por completo.


Para outros modelos (capítulo de livro, anais de eventos técnico-científicos, artigo de periódico, monografia, dissertação, teses, fontes digitais, entre outros), a mencionada norma explicita a forma de referenciar, devendo o autor margear apenas pela esquerda, com espaços simples.


Glossário


Elemento opcional de um artigo técnico e/ou científico, no qual o autor deve relacionar os termos, em ordem alfabética, trazendo o seu significado no texto. Normalmente, usa-se este recurso como se fosse um minidicionário, para explicitar termos técnicos e/ou palavras as quais tenham mais de um significado, circunscrevendo-as no texto.


Apêndice


É uma ilustração produzida pelo autor do texto e, de acordo a NBR 6022/2018, deve ser identificado nesta ordem: a palavra Apêndice seguida de letras maiúsculas consecutivas, travessão e respectivo título, com o mesmo destaque tipográfico das seções primárias e centralizado, conforme prevê a NBR 6024/2012. Utilizam-se letras maiúsculas dobradas, na identificação dos apêndices, quando esgotadas as 26 letras do alfabeto.


Exemplos:


APÊNDICE A – Questionário aplicado aos concluintes do curso de Direito


APÊNDICE B – Roteiro de entrevista cedida pelo Diretor da Faculdade de Direito 


Anexo


É uma ilustração não produzida pelo autor do artigo e, segundo a NBR 6022/2018 da ABNT, deve ser identificado nesta ordem: a palavra Anexo seguida de letras maiúsculas consecutivas, travessão e respectivo título, com o mesmo destaque tipográfico das seções primárias e centralizado, conforme preconiza a NBR 6024/2012 da ABNT. Utilizam-se letras maiúsculas dobradas, na identificação dos anexos, quando esgotadas as 26 letras do alfabeto.


Exemplos:


ANEXO A – Artigo 184 do Código Penal Brasileiro


ANEXO B – Súmula 196 do STF


Agradecimento


Último elemento pós-textual de um artigo, cujo texto sucinto deve ter sido aprovado pelo periódico em que será publicado o referido artigo ou, em se tratando de modalidade de TCC, o mesmo deve ter a anuência do orientador do trabalho. 


                                                                 REFERÊNCIAS


ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6022: informação e documentação – artigo em publicação periódica técnica e/ou científica – apresentação. Rio de Janeiro: ABNT, 2018.


______. NBR 6023 - informação e documentação - referências - elaboração. 2. ed. Rio de Janeiro: ABNT, 2018. 


______. NBR 6027 - informação e documentação - sumário - apresentação. Rio de Janeiro: ABNT, 2012.


______. NBR 6024 - informação e documentação - numeração progressiva das seções de um documento – apresentação. Rio de Janeiro: ABNT, 2012.


______. NBR 14724 - informação e documentação - trabalhos acadêmicos - apresentação. Rio de Janeiro: ABNT, 2011.


______. NBR 12225 – informação e documentação – lombada – apresentação. Rio de Janeiro: ABNT, 2004.


______. NBR 15287 - informação e documentação - projeto de pesquisa - apresentação. Rio de Janeiro: ABNT, 2011.


______. NBR 6028 - informação e documentação - resumo - apresentação. Rio de Janeiro: ABNT, 2003.


BEUREN, Ilse Maria. Como elaborar trabalhos monográficos em contabilidade: teoria e prática. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2009.


BOAVENTURA, Edivaldo M. Exercícios de metodologia da pesquisa. Salvador: Quarteto, 2017.


FERREIRA, Rosilda Arruda. A pesquisa científica nas ciências sociais: caracterização e procedimentos. Recife: UFPE, 1998.


GIL, Antonio Carlos. Métodos e técnicas em pesquisa social. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2011.


______. Como elaborar projetos de pesquisa. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2010.


GONÇALVES, Hortência de Abreu. Manual de artigos científicos. São Paulo: Avercamp: 2004.


MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Fundamentos de metodologia científica. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2007.


MINAYO, Maria Cecília de Souza. O desafio do conhecimento: pesquisas qualitativas em saúde. 11. ed. São Paulo: Hutitec, 2008.


SALOMON, Décio Vieira. A maravilha incerteza: ensaio de metodologia dialética sobre a problematização no processo do pensar, pesquisar e criar. São Paulo: Martins Fontes, 2000.


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______. Tópicos sobre educação, metodologia da pesquisa científica, contabilidade, direito administração e economia. Salvador: Quarteto, 2007.